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Artworks

Open a larger version of the following image in a popup: Ilê Sartuzi, T.GIRLS, 2019-2024

Ilê Sartuzi b. n. 1995, Santos, Brasil
Vive e trabalha entre São Paulo, Brasil, e Londres, Reino Unido

T.GIRLS, 2019-2024
pernas de manequim, motor industrial com redutor, inversor de frequência, madeira, aço, luminárias, rack de dimmer, Arduino, circuito eletrônico [mannequin legs, industrial motor with reduction, inverter drive, wood, steel, lamps, dimmer rack, arduino, electronic circuit]
210 × 210 × 55 cm | 82.68 × 82.68 × 21.65 in
23475
© artista [the artist]
apresentado na Art Basel 2024 com Pedro Cera As cinco pernas de manequim formam uma máquina dançante. O título “T.GIRLS” faz referência ao célebre grupo de dançarinas conhecido como Tiller Girls. O grupo surge como símbolo de uma modernidade atravessada por uma curiosa contradição entre a exaltação do indivíduo e do individualismo e sua dissolução em um todo amorfo. No entanto, a crença no indivíduo é uma afirmação falsa, válida apenas como apelo ao consumo. O filósofo alemão ligado à Escola de Frankfurt, Siegfried Kracauer, afirma que: “O processo começou com as Tiller Girls. Esses produtos das fábricas americanas de distração não são mais garotas individuais, mas conglomerados indissolúveis de garotas cujos movimentos são demonstrações de matemática.” O treinamento intenso — quase militar — ao qual essas mulheres eram submetidas para produzir um imenso número de linhas que oscilavam em paralelos perfeitos e para obter no palco um traçado de proporções impensáveis seria desejável para treinar massas humanas cada vez maiores. Os movimentos, como em um caleidoscópio, são esvaziados de qualquer significado ritualístico e “ocorrem no vazio; são um sistema linear que já não possui qualquer significado erótico, mas que, no máximo, aponta para o lugar do erótico.” Assim como o trabalhador industrial é alienado de seu próprio trabalho, e embora “as massas deem origem ao ornamento, elas não estão envolvidas em pensá-lo. […] Os atores, da mesma forma, nunca apreendem o cenário em sua totalidade, embora participem conscientemente de sua construção.” A ideia de linearidade também nos leva a pensar na relação com a linha de montagem como estratégia de alienação do trabalho. As partes não compreendem nem dominam o todo. Cada uma executa sua pequena ação na esteira, desempenhando uma função parcial, sem conhecer o conjunto. Há ainda uma fratura nos próprios elementos mínimos que constituiriam cada “indivíduo” desse organismo. “As Tiller Girls não podem mais ser recompostas como seres humanos […]. Braços, coxas e outros segmentos são as menores partes constitutivas da composição.” Esses fragmentos mínimos do corpo tampouco possuem qualquer tipo de personalidade; eles devem se dissolver. Foi assim que as Tiller Girls serviram para propagar um ideal moderno de sociedade, exportando ao mundo a imagem de uma indústria americana totalmente capaz e eficiente. “O ornamento de massa é o reflexo estético da racionalidade à qual o sistema econômico vigente aspira.” “T.GIRLS” foi apresentado pela primeira vez como parte central da peça teatral sem atores head hollow doll foam, em 2019, na Firma, e posteriormente a peça estreou no SESC Pompeia, em 2022 (ambos em São Paulo, Brasil). A primeira vez que a obra foi apresentada fora do contexto da peça, com uma coreografia autônoma, foi na Art Basel Basel 2024. KRACAUER, Siegfried. The Mass Ornament. Harvard University Press, 1995.
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