Sidival Fila é frade franciscano, artista e presidente da fundação filantrópica que leva seu nome. Vive e trabalha em Roma há mais de quarenta anos, e atualmente reside no Convento de San Bonaventura al Palatino, onde também mantém seu estúdio.
Ancorada no Informalismo, no Espacialismo e no ready-made, sua poética se desenvolve sobretudo a partir do uso de têxteis antigos — como linho, cânhamo, seda, brocados — hoje em desuso e despojados de sua função original, buscando lhes restituir nova vida e significado. Resultado de uma experimentação contínua com tensões, dobras, suturas e introflexões, suas obras oferecem uma reflexão sobre a percepção humana da realidade, a memória da matéria e a possibilidade de redenção — também espiritual — por meio da arte.
Nascido em 1962 em Arapongas, no estado do Paraná, em uma família de origem italiana, Sidival Fila cresceu em um ambiente doméstico no qual a arte e o artesanato eram partes integrantes da vida cotidiana: o pai era pedreiro, o avô decorador e a mãe costureira. Desde muito jovem demonstrou interesse pelas artes plásticas, o que o levou a se mudar para São Paulo, onde passou a frequentar museus e galerias, iniciando ali suas primeiras investigações expressivas.
Em 1985 decidiu emigrar para a Itália, movido pelo desejo de aprofundar sua compreensão da cultura visual europeia. Chegou a Roma como etapa intermediária rumo a Paris, mas a riqueza cultural da cidade e o acolhimento que recebeu o convenceram a permanecer. Após anos dedicados ao trabalho e ao amadurecimento pessoal, desenvolveu uma vocação religiosa que o levou a ingressar na Ordem dos Frades Menores de São Francisco de Assis. Interrompeu sua prática artística por mais de dezoito anos, dedicando-se integralmente ao ministério franciscano em conventos e espaços de atuação pastoral. Somente em 2006, a partir de uma experiência fortuita de restauro no convento onde vivia, iniciou um retorno gradual e profundo à arte.
O trabalho de Sidival Fila foi apresentado em exposições individuais na Scuola Grande di San Marco (Veneza, 2024); Mennour (Paris, 2024); Vatican Library (Roma, 2023); Fondazione Raccolta Lercaro (Bolonha, 2021); Palazzo Ducale (Sassuolo, 2018); e Museo Carlo Bilotti – Villa Borghese (Roma, 2015), entre outras. Participou da 58ª Bienal de Veneza (2019), onde apresentou uma instalação site-specific no Pavilhão de Veneza intitulada Golgotha. Entre as exposições coletivas recentes destacam-se apresentações no Centre Pompidou-Metz (Metz, 2025); Fondazione Memmo (Roma, 2024); e Maison La Roche – Fondation Le Corbusier (Paris, 2025), entre outras. Suas obras integram coleções privadas e institucionais em todo o mundo, incluindo a coleção permanente de arte moderna e contemporânea do Vatican Museums e da Fondation Louis Vuitton.
