Jarbas Lopes: nome ar
A Luisa Strina apresenta nome ar, nova exposição de Jarbas Lopes. Acompanhados de ensaios críticos de Érica Burini e Luiz Villares, os trabalhos inéditos articulam a sensibilidade ecológica do artista em uma investigação das relações entre corpo, natureza e cultura. A exposição inaugura na quinta-feira, 1º de outubro, das 18h às 21h, com uma performance do artista, e fica em cartaz até 14 de novembro.
Desde os anos 1990, Jarbas Lopes desenvolve uma produção que valoriza o fazer manual e colaborativo, aproximando escalas, materiais e linguagens distintas. nome ar propõe uma atenção renovada a esses processos, estimulando uma maior consciência do próprio corpo, do entorno e da experiência sensorial da natureza.
Essa investigação se manifesta tanto nos materiais orgânicos empregados nos novos trabalhos quanto nas formas de relação que eles estabelecem com o público. Colchões feitos de juta e folhas de bambu convidam os visitantes a se deitar, enquanto telhas de papel e goma de tapioca revestem as paredes da galeria.
Em uma nova série de desenhos, Lopes mastiga o carvão antes de lançá-lo sobre o papel, fazendo do próprio corpo parte da produção das imagens. A dimensão corporal se estende também à performance que o artista realiza na abertura da exposição, composta por uma série de movimentos que ativam o espaço expositivo e introduzem um caráter teatral à mostra. "Somos parte da natureza; logo, já somos cultura", afirma Luiz Villares em seu ensaio, citando Mário Pedrosa. "A arte de Jarbas Lopes reconhece essa inspiração e conexão contínua e fluida entre a arte e a natureza."
Outros trabalhos ampliam esse trânsito entre materiais, técnicas e formas de conhecimento: livros encapsulados e tensionados por elásticos, telas tramadas, cavaletes de madeira e desenhos com caneta esferográfica. Segundo Érica Burini, Lopes entende a técnica como uma tática da vida humana que se sobrepõe ao natural: "Em sua obra, produz proximidades entre polos que parecem, a princípio, distantes: como a sabedoria da multiplicidade da mandioca, que é unida à técnica de construção civil industrial e à sensibilidade construtiva; assim como o saber fazer colchões de fibras naturais é combinado ao saber descansar e ao cubo branco."
Sobre o artista
Jarbas Lopes (Nova Iguaçu, Brasil, 1964) vive e trabalha em Maricá, Brasil. Suas exposições individuais recentes incluem: Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2024); Pinacoteca de São Paulo (2023); A Gentil Carioca (Rio de Janeiro, 2023, 2017, 2013 e 2008); MAR - Museu de Arte do Rio (Rio de Janeiro, 2022); Luisa Strina (São Paulo, 2017 e 2009); CRAC Alsace (Altkirch, França, 2017); Tilton Gallery (Nova York, 2013 e 2010); e Museo Nacional de Bellas Artes (Santiago, 2010).
Também se destacam suas participações em exposições coletivas como: Brazil, Beleza?!, Museum Beelden aan Zee (Haia, 2016); 11ª Bienal de Lyon (2011); Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2011 e 2001); 7ª Bienal de Gwangju (2008); 27ª Bienal de São Paulo (2006); 8ª Bienal de Havana (2003); entre outras.
Suas obras integram coleções públicas e institucionais como: ASU Art Museum (Tempe); Bronx Museum of the Arts (Nova York); Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM Rio (Rio de Janeiro); Fundación ARCO (Madri); Instituto Inhotim (Brumadinho); MAM Rio (Rio de Janeiro); MoMA (Nova York); Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte); TBA21 - Thyssen-Bornemisza Art Contemporary (Viena); Cisneros Fontanals Art Foundation - CIFO (Miami); e Victoria and Albert Museum (Londres), entre outras.
