A prática artística de Juliana dos Santos investiga as relações entre cor, tempo e espaço. Sua produção se caracteriza por instalações imersivas e pelo uso de pigmentos naturais, aquarela, tecidos e elementos orgânicos - em especial a flor Clitoria ternatea, com a qual a artista mantém, como ela mesma descreve, um processo colaborativo contínuo.

 

O azul extraído dessa flor é trabalhado como matéria sensorial, simbólica e política, em obras cuja construção pictórica se desdobra em ações performativas. Juliana adota formas não convencionais de composição, acionadas pelo sopro, pela mancha, pelo chiado e pelas rajadas provocadas pela própria flor.

 

Nesse processo, os limites entre abstração e figuração tornam-se porosos, dissolvendo fronteiras entre pintura, gravura, instalação e performance. Paralelamente, a oxidação natural da flor introduz uma dimensão temporal à obra, evidenciando a impossibilidade de fixar algo em estado permanente.

 

Juliana dos Santos é Doutora em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Em 2018, como artista residente, lecionou no Departamento de Pintura Contextual da Academia de Belas Artes de Viena, Áustria.

 

Entre suas exposições individuais, estão: Temporã, na Pinacoteca de São Paulo (São Paulo, 2025); Sambiência, no Museu das Favelas (São Paulo, 2024); Como terminar uma tese: o tempo da cor, na GDA (São Paulo, 2024); Quando a cor chega no azul, no CCSP (São Paulo, 2021); e Entre o azul e o que não me deixo/deixam esquecer, Temporada de Projetos Paço das Artes, no MIS-SP (São Paulo, 2019). Também realizou projetos colaborativos como What is not inherited, em parceria com Dan Lie, no Kunstverein Braunschweig (Braunschweig Alemanha, 2023); e Projeto Vitrine, com Sonia Gomes, no Pivô (São Paulo, 2022). 

 

A artista participou da 36ª Bienal de São Paulo (2025) e integrou o Programa Público de Residência Artística no Sertão Negro, realizado pela 35ª Bienal de São Paulo (2023), além da 3ª Frestas - Trienal de Artes (Sorocaba, 2021) e da 12ª Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2020). Entre as mostras coletivas, destacam-se: Fartura, Luisa Strina (São Paulo, 2025); Dos Brasis: arte e pensamento negro, Sesc Belenzinho (São Paulo, 2023); Enciclopédia Negra, Pinacoteca de São Paulo (2021). Suas obras integram os acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Centro Cultural São Paulo.